domingo, 10 de dezembro de 2017

[Coleção Negra] O Ano-Novo de Montalbano

O Ano-Novo de Montalbano - Andrea Camilleri

 

 

Sinopse

 

"Quando Montalbano cismava com alguma coisa, não havia santo que desse jeito." O narrador que conta há anos as histórias do comissário de Vigàta bem sabe disso. Uma palavra destoante, um gesto incontrolado, um detalhe incongruente bastam para acionar a máquina das suas investigações.

Assim, a partir de uma imperceptível fissura na "normalidade", desencadeiam-se estas novas histórias, nas quais Montalbano se depara com os mais variados e insólitos crimes e criminosos: casais de velhos atores que representam na privacidade do quarto um texto fúnebre; insuspeitáveis diretores de escola aposentados que enganam prostitutas generosas; mulheres astutamente fiéis que tramam cruéis vinganças contra seus maridos apaixonados...

 Acompanharemos Montalbano no ano-novo, acometido por uma "grande bordoada de melancolia", após mais uma briga com sua eterna noiva Livia, e confortado apenas pelos arancini - os croquetes da empregada Adelina -, "celestial delícia", além da conclusão saborosíssima de uma nova série de investigações do mais famoso comissário italiano.

Minha Opinião

 

Nesse livro temos 20 contos (isso mesmo, 20 histórias!!!) com o queridíssimo comissário Montalbano. Histórias relativamente curtas, rápidas de serem lidas. Temos de tudo um pouco: vinganças, traição, crimes ao acaso, pessoas desaparecidas... Enfim, cada conto nos deixa mais próximos, mais íntimos, do comissário e seus companheiros de trabalho.

Somos imersos na cidade "fictícia" de Vigàta e nos personagems criados por Camilleri. Dei inúmeras risadas durante a leitura dos contos. Camilleri soube construir um humor gostoso, sem deixar de lado a seriedade dos crimes em questão. 

Quero ressaltar também um dos contos, que não posso dizer o nome (começa com a letra M, de Marcus...), mas que achei muito interessante. O final dele é soberbo. É uma daquelas histórias que você lê e guarda no coração. Só por ela já vale a pena ler o livro inteiro...

"O sessentão que, em meio a noite romana, estava batendo à máquina, levantou-se num salto e foi até o telefone, preocupado. Quem poderia ser, àquela hora?"

Camilleri coloca também uma dose de críticas sociais, políticas, econômicas e psicológicas, principalmente nas narrativas (quero dizer, na voz dos personagens). Apesar da cultura e política italiana serem estranhas a grande parte do público brasileiro, isso não torna a leitura mais difícil, ou algo do tipo. Nada atrapalha a leitura.

"- Senhor diretor, naquela época os juízes tinham um olho só, aquele que lhes permitia ver os crimes comuns, homicídio inclusive, com inflexibilidade. O outro olho, aquele que deveria enxergar a máfia, a corrupção dos políticos e por aí vai, esse eles mantinham fechado."

O comissário Montalbano possui uma característica muito importante, ele segue fielmente seus princípios, e sempre busca a verdade (não a justiça em si, mas a verdade, para ele). Pra mim é isso que me fez gostar tanto das histórias dele. São divertidas. Empolgantes. Interessantes.

Não espere tramas complexas, enredos elaborados e muito menos histórias emaranhadas. São contos simples e independentes entre si.

Ah, vale também mencionar que nas histórias quase sempre aparecem pratos regionais (da culinária italiana) de dar água na boca. Dá ate vontade de ir la na Itália só pra experimentar esses pratos (rsrsrs).

Sobre a Edição

 

Assim como todos os títulos da Coleção Negra, cada capítulo possui sua ilustração, e na brochura encontramos a marcação como sendo da Coleção Negra, da Record.

Com tradução de Joana Angélica D'Ávila Melo, páginas "amarelas" e fonte agradável, a edição é boa Confesso que sinto falta de imagens mais claras, principalmente do Montalbano (ou dos pratos descritos...), as imagens de cada capítulo, para mim, são repetitivas.

 Eu adorei o livro, e recomento para todo mundo. Montalbano sempre rende boas histórias. Obrigado, Camilleri!

0 comentários:

Postar um comentário