sábado, 29 de outubro de 2016

[Coleção Negra] A Hora da Morte

A Hora da Morte - Petros Markaris




Sinopse


Kostas Xaritos, chefe do Departamento de Homicídios de Atenas, enfrenta uma crise no casamento, tem uma filha e relaxa lendo dicionários. Agressivo e pessimista, não é muito popular; a maneira como lida com seus clientes certamente não é a mais recomendável.

Após ouvir a renomada jornalista Yanna Karayióryi sobre um caso solucionado - no qual um casal albanês foi encontrado morto -, o comissário Xaritos, intrigado, decide retomar as investigações.

Uma noite, ele é convocado a uma cena de crime: Yanna fora morta instantes antes de entrar no ar ao vivo. Seria o objetivo do assassino impedir que as informações que ela detinha se tornassem públicas?

Com um estilo cuidadoso e sucinto, em alguns momentos quase minimalista, Petros Markaris constrói um romance envolvente e extremamente irônico, com uma construção de personagens magistral.

Minha Opinião 


Em A Hora da Morte, temos um mistério envolvendo o engraçadíssimo detetive Xaritos e uma brilhante jornalista, Yanna. A jornalista parecia saber de uma informação bombástica e, minutos antes de entrar no ar ao vivo para contar a toda Grécia sua história, ela foi assassinada brutalmente nos estúdios da emissora.

No decorrer das investigações dirigidas por Xaritos, descobrimos várias peculiaridades, tanto no caso do casal albanês quanto no caso de Yanna. Sem falar que ficamos imersos no dia-a-dia pessoa do detetive, o que torna a construção do personagem arrebatadora.

Tudo começa a engrenar quando, após a morte de Yanna, se descobre uma série de cartas ameaçadores dirigidas a ela.
"Há muito tempo faço o que você me pede e sempre espero que você mantenha a sua palavra, mas você sempre me engana. [...] Desta vez, não vou mais dar para trás. Não me force porque você vai se dar mal e a culpa vai ser toda sua.", página 84.
Com o andar das investigações, descobrimos vários suspeitos, dentre eles um que chama a atenção de imediato, um condenado justamente pelas informações fornecidas pela Yanna, em um caso anterior. Kolákoglou é seu nome. Cabe a nós, leitores, julgarmos suas atitudes.
" - Meu filho não matou ninguém. O meu Petros não é assassino. Não chega ele ter apodrecido durante tantos anos na prisão sem motivo?", página 138.
 Em meio à investigação policial, a figura (digo, a personalidade...) do detetive Xaritos vai se revelando . Vamos conhecendo seu dia-a-dia, suas manias, seus costumes. Com muitos toques bem humorados, Markaris consegue desenvolver a trama e, ao mesmo tempo, um personagem principal extremamente cativante.

Além disso, somos inseridos no contexto grego, ou seja, costumes (incluindo a culinária...), política e até esportes. Sem falar que entramos nos bastidores de uma emissora de TV famosa na Grécia.

"Saí com a satisfação de que, pelo menos, nadara contra a maré. Não por ser um policial ridículo, mas sim por ser um ridículo policial", página 171.
"Eu fiquei calado porque sabia que ele tinha razão. Realmente sou inflexível e, quando tenho uma ideia na cabeça, persigo-a sem pensar nas consequências", página 186.
Em seu texto, Markaris faz diversas críticas ao sistema político, à mídia, aos costumes e até ao sistema policial da Grécia. Algumas veladas, outras nem tanto...

" Quando você não acredita mais em nada, acredita na polícia - respondeu com um sorriso cheio de dor. - Vocês são o fundo do poço. Eu atingi o fundo do poço e nos encontramos. Isso é tudo", página 230.
Denunciando corrupção, desonestidades e crimes, o autor nos revela uma trama misteriosa, repleta de humor e personagens caricatos, sempre nos guiando para uma solução dos crimes. Xaritos é extremamente carismático, mesmo sendo rabugento as vezes haha.

Vale mencionar a enoooorme presença de K's nos nomes dos personagens, fica fácil confundir os nomes hehe. Mas é bem interessante, afinal é um livro, originalmente, grego.

Sobre a Edição


Mais um título da Coleção Negra. Assim como os demais, possui páginas amarelas e "orelhas", além daquelas gravuras no início de cada capítulo.

Com tradução de Lucilia Soares Brandão, A Hora da Morte é um livro bastante agradável (sem falar misterioso...), vale muito a leitura. É bem curtinho e leve de se ler.

Curiosidade


Petros Markaris ganhou, em 2013, a Medalha Goethe, pelos ser esforços em difundir a cultura e língua alemã, apesar de ser natural da Turquia.


Uma boa leitura a todos!!!
 \o/

0 comentários:

Postar um comentário