quarta-feira, 22 de junho de 2016

[A Torre Negra #2] Childe Roland à Torre Negra Chegou

Childe Roland à Torre Negra Chegou - Robert Browning


Saído de uma única fala em um dos mais famosos poemas de Shakespeare, Childe Roland to the Dark Tower Came é um poema épico (relativamente curto e de fácil entendimento) que pode ser encontrado pela internet (ou nas páginas finais do último livro da Torre Negra).

Publicado no Brasil no final do último volume da Torre Negra, o época de Browning será nosso ponto de partida rumo à Torre. Publicado em 1855, com 34 estrofes, Childe Roland à Torre Negra chegou se tornou um épico muito antes da Série escrita por King.

Contando a luta de Roland (somando perdas e vitórias pela jornada) em busca de sua redenção somos guiados por caminhos áridos, muitas vezes intragáveis de imaginar. E, no final da jornada, vemos um Roland mais maduro, mesmo sendo amargo de certa forma.

"Qual outro seria o intuito, com seu cajado? / Qual senão laçar e emboscar os andarilhos / Que porventura o encontram pelos trilhos / E vêm pedir direção? Que risada má eu teria escutado, / quem deixaria meu epitáfio marcado / por diversão nos terrosos caminhos.", página 859 - Estrofe II
 No começo vemos Roland, o narrador, conversando com um velho, um homem em quem não se deve confiar. Contudo, nessa primeira conversa, Roland descobre seu destino, que é ir em busca da Torre, mesmo que para isso ele tenho que seguir em frente, no rumo das Terras Devastadas, terras essas que, segundo o velho, escondem a Torre.

"Assim, já sofro há tanto nessa jornada / Já ouvi do fracasso o vaticínio e a confirmação / Para tantos e tantos companheiros a Afiliação / de cavaleiros que da Torre Negra atendem à chamada, / Que falhar como eles me pareceu a coisa acertada / E a única dúvida era: não seria essa minha função?", página 860 - Estrofe VII
 Nessa parte do poema sabemos que outros companheiros (quiçá amigos de Roland) também já foram atrás da Torre, mas todos falharam. Roland se questiona se não seria essa sua função também, falhar em uma busca irracional pela Torre.

É uma busca difícil, onde muitos já se atreveram a entrar mas nenhum (sim, nenhum!) conseguiu chegar lá de fato. Contudo, Roland decide seguir seu destino, ir em busca da Torre, mesmo que isso signifique seu fracasso também.

"Quanto à relva era como o cabelo escasso / Dos leprosos; magras lâminas secas na lama / Que parecia ter por baixo uma sanguínea trama. /  Um cavalo cego e rijo, ossos à vista, lasso, / Parava ali, estúpido; havia chegado àquele pedaço: / Rebento que o garanhão do diabo não reclama!", página 862 - Estrofe XIII
 Após o início da jornada, Roland entra nas Terras Devastadas/Desoladas. Um local onde não existe vida, ou melhor, onde existe morte, em abundância. Ele tem que passar por esse lugar, pois todos dizem que A Torre está após isso.

Não é fácil para ele. Durante a caminhada ele se depara com um único ser (vivo?), o cavalo cego (magro e maltratado) Além disso tudo, vemos um Roland cheio de dúvidas, de incertezas, um pistoleiro vagando em uma terra cheia de nada...

"Não ouvi-la? Com tantos sons à volta! O ribombar / dos sinos cada vez mais alto. Nomes nos meus ouvidos / Todos os aventureiros, meus companheiros perdidos - / Como, se um era tão forte, outro de tão corajoso brandar, / Outro tão afortunado, como foram perdidos acabar? / Um instante trazia tantos anos de sofrimentos renascidos.",  , página 867 - Estrofe XXXIII.
Pois é... Roland chega lá, de fato. Ouvindo os nomes de todos os que tentaram antes dele e de todos os seus amigos que faleceram durante sua trajetória. Sim, o poema acaba tranquilo e sereno (do ponto de vista do leitor ne haha). A jornada termina e vemos um Roland realizado, no mínimo. Mas um "herói" sofrido, maltratado.E sim, a Torre é tudo aquilo que imaginamos durante a leitura, ou melhor, mais até do que imaginamos.

Curiosidade

O poema é baesado na seguinte frase, dita por Edgar, na famosa peça Rei Lear:
" - Child Roland to the Dark Tower came. His word was still 'Fie, foh, and fum, I smell the blood of a British man.", Ato 3 , Cena 4.
Sim, apenas dessa fala saiu um poema épico, Parece improvável né? Mas veremos nessa jornada feitos tão improváveis quanto esse.

Se você já possui o último volume da Torre dê uma lida no poema (ou guarde para o final, é por sua conta e risco haha), vale muito a pena. É fácil o entendimento e a leitura flui bem...


Boa leitura!! E quarta que vem começaremos com O Pistoleiro!! Não perca...

Um comentário:

  1. Apenas chamando atenção para o fato de que o monologista (aquele que tem a voz no poema) não é nomeado. O título e última frase do poema ('Childe Roland to the Dark Tower Came') estão entre aspas por serem citações. Embora alguns criticos chamem o personagem de Roland (assim como chamam a criatura de Frankenstein de Frankenstein), é apenas para facilitar a explicação. O personagem é anônimo, e assim como alguns narradores de E. A. Poe, está narrando de um momento aparentemente impossível.

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