domingo, 6 de março de 2016

O DIário de Anne Frank

O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjam Pressler



Sinopse


12 de Junho de 1942 - 1º de Agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. A força da narrativa de Anne, com impressionantes relatos das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento. Seu diário já foi traduzido para 67 línguas, e é um dos livros mais lidos do mundo. Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.

Minha Opinião


Antes de começar, gostaria de deixar claro que não entrarei na questão de o diário ser editado, pois o foco será mais na história em si. Vale ressaltar que logo no começo do livro nos é dada diversas informações sobre alguns processos de edição e escolha de partes do diário a serem publicadas (tanto pelo pai de Anne, tanto pela própria Anne).

Anne e sua família viviam "normalmente", mesmo após o domínio da Alemanha se estender para a sua cidade (começando por uma série de regras a serem seguidas, como horários para os judeus saírem, ou que tipos de transportes eles deveriam usar, segregando-os). Após um período, sua irmã recebe uma intimação (em termos práticos, seria uma sentença a ser levada ao campo de concentração). É aí que a família Frank se "muda" para O Anexo, um sótão no local onde Otto (o pai de Anne) trabalhava.

E é nesse cenário que Anne decide escrever seu diário (diário este que ela ganhou de presente de aniversário). Nele vemos a evolução de Anne nos anos pré-Anexo e durante a sua estadia lá. Para Anne, o diário representava mais do uma simples narração dos acontecimentos, representava uma válvula de escape, uma amizade que lhe era usurpada pela guerra.

"Quero que o diário seja minha amiga e vou chamar esta amiga de Kitty", posição 225.
 Refugiados no Anexo, juntamente com mais uma família (os Van Daan) e um dentista (Dussel), ambos nomes fictícios, vamos acompanhando um enorme amadurecimento de Anne no decorrer dos anos. Vimos a passagem de uma Anne ingênua para uma moça altamente questionadora (no bom sentido da expressão).

"Você só conhece uma pessoa depois de uma briga. Só então é possível julgar o seu caráter!", posição 828.
A convivência desse grupo foi bastante difícil. Tanto pelo clima de tensão quanto pelo enclausuramento do grupo. Não era fácil viver preso em um local onde a qualquer momento eles poderiam ser encontrados. Sem falar na dificuldade de se conseguir mantimentos. Fora tudo isso os grupos (principalmente as famílias) eram essencialmente diferentes, o que gerou várias discussões.

"Acho estranho os adultos discutirem tão facilmente e com tanta frequência sobre coisas tao mesquinhas. Até agora eu achava que birra era uma coisa de criança e que a gente superava quando crescia.", posição 784.
 Outro ponto que me tocou bastante foi a sensibilidade de Anne em relação aos judeus (em especial seus amigos da escola). Mesmo em meio ao caos que sua vida se tornou ela teve misericórdia dessas pessoas (mesmo que não sabendo de tudo o que elas sofreram, o que ela mesmo sofreria no futuro).

"Sinto-me má ao dormir numa cama quente, enquanto em algum lugar meus melhores amigos estão exaustos ou sendo derrubados. Fico apavorada quando penso em amigos íntimos que agora estão à mercê dos monstros mais cruéis que já assolaram a terra. E tudo porque são judeus", posição 1223.
Anne tinha uma relação bastante complicada com sua família. Em especial com sua mãe. Isso fica bem claro desde o início do diário.  Ela sempre se deu bem com seu pai e sua irmã, apesar da diferença de idade. Chega até a espantar algumas passagens com críticas severas sobre sua mãe (apesar de que quase todo mundo já sentiu algo parecido em algum momento da vida...).

Mas gostaria muito de destacar a evolução que vemos nas atitudes e pensamentos de Anne. Acho que esse é um dos (se não for o mais"!) pontos mais interessantes do livro. Como dito anteriormente, vemos a transformação (não é bem uma "transformação", é mais um amadurecimento) de Anne, em vários aspectos. Os pensamentos contidos no diário nos remetem a uma menina-mulher, florescendo e cheia de boas perspectivas futuras (o que torna o livro muito triste, devido ao seu final).

"A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido. Eu mudei de um jeito radical, tudo em mim é diferente: minhas opiniões, minhas idéias, a visão crítica. Por dentro, por fora, nada é igual. E posso afirmar com segurança, já que é verdade: mudei para melhor.", posição 3853.
Por fim gostaria de falar sobre um assunto [digamos que] polêmico. No diário (principalmente no diário original) temos muitas passagens com temáticas sexuais (afinal Anne era uma garota, em pleno início da adolescência). Principalmente em relação a Peter (o filho dos van Daan), afinal eles passavam muito tempo juntos, e eram os únicos "jovens" do Anexo (incluindo Margot...). Mesmo na versão selecionada por Otto Frank ainda vemos algumas passagens nesse sentido. Acho que um diário é algo íntimo, pessoal. Por isso acho sensato algumas partes serem cortadas. Temos que levar em conta o propósito da publicação do diário, que é demonstrar o cotidiano de pessoas perseguidas durante a 2ª Guerra.

Sobre a Edição


Com tradução de Alves Calado, publicado pela BestBolso, temos um excelente ebook. Bem formatado e com pouquíssimos erros, temos um texto claro e coerente. Esse ebook está no catálogo do Kindle Unlimited (serviço de locação de ebooks fornecido pela Amazon).

Um fator negativo, talvez por ser uma versão simples, é a falta de fotos (ou ilustrações) ao longo do ebook. Só temos a capa e algumas descrições ao longo do livro para termos ideia de como Anne e o pessoal do Anexo eram. Achei que faltou isso (talvez nas edições físicas tenha...).


Se você já leu, deixe nos comentários suas impressões do livro. Queremos saber a opinião de vocês...


Boa leitura!

\o/

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