sábado, 2 de janeiro de 2016

O Guardião de Memórias

O Guardião de Memórias - Kim Edwards



Sinopse


Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos.O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down.

Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, o Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua  enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz a esposa que ela, a menina, não sobreviveu.

Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí uma intricada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar.

A força deste livro não está apenas em sua construção bem armada e no realismo de seus personagens, mas principalmente na sua capacidade de envolver o leitor da primeira a última página.

Com uma trama tensa e cheia de surpresa, O guardião de memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversíveis - poder de nossa escolhas.

Minha Opinião


Sempre ouvi falar desse livro e um dia não resisti... Confesso que não me arrependo.

Apesar de achar que a sinopse conta coisas demais (eu gosto de suspense), foi possível me surpreender ao longo da leitura e isso manteve presa minha atenção, como diz na descrição do livro "Kim escreveu um livro de cortar o coração".

A leitura é bem prazerosa, cheia de muitas surpresas, daqueles momentos que o leitor acredita saber qual será o próximo passo do personagem e... descobre que não sabia.

Só adiantando...Sim, há possibilidade de rolar um líquido quente nos seus olhos!

O enredo se inicia praticamente com o parto de Norah, ela e o Dr. Henry se conheceram por acaso, aquele típico caso onde o macho vê a fêmea e usa todos os artifícios para ganha-la, tudo entre eles havia se dado muito rápido e intenso.

Na hora do parto ambos estavam impossibilitados de sair para tão longe, então o médico age como pode, ela nem  sabia o sexo do bebê e o próprio Dr. Henry ficou surpreso ao perceber que  havia mais uma criança lá dentro. Ao fazer o parto da segunda criança, ele percebe que a filha tem Síndrome de Down, nesse momento passa um filme na mente do médico e ele impulsivamente toma a pior decisão de sua vida, talvez pelo medo da rejeição da sociedade ou simplesmente por querer poupar sua esposa e filho de uma perda, de uma dor (ele já havia perdido e sabia o quanto seria doloroso reviver essa cena, e acreditava que seria um golpe muito grande para sua família)... Sim, como já é sabido, ele manda a criança para adoção e tenta conformar a esposa (quando esta acorda) de que a outra criança não resistiu.

A principio ele acredita que tudo está sob controle, mas descobre logo depois que seu plano falhou, Caroline não teve coragem de deixar aquele ser tão frágil num lugar tão horrível, a enfermeira sempre foi apaixonada pelo Dr. Henry e a partir daquele momento se sentia mais próxima dele, guardando aquele segredo e por isso decidiu ir embora com a criança. Phoeb foi criada como filha de Caroline, e esta lutou de todas as formas para que ela pudesse levar uma vida normal.

A partir daí a trama começa a ser narrada em dois locais, duas realidades, na primeira, Norah, Paul (o filho) e Henry numa vida economicamente boa, mas cada vez mais desgastante.

Norah não se recupera da perda de Poheb (ela escolheu esse nome antes de saber o sexo da criança, e depois do ocorrido mandou fazer um túmulo e celebrar missas em nome da filha) e busca preencher seu vazio com o novo serviço, viajando, comprando roupas e sapatos, em outras palavras, sendo independente;
Pauh cresce sentindo a falta da irmã, pressionado por seu pai para ser bom naquilo que ela não dava a mínima, sofrendo com a ausência dos pais (que trabalham muito) e na adolescência tem seu primeiro contato com as drogas.

Henry vive cada vez pior, repetindo todos os dias para si mesmo que fez aquilo por amor a sua família, ele teve uma irmã com Down, ela o deixou muito cedo e isso não poderia se repetir em sua vida, como médico  sabia que aquela filha tinha pouquíssimas chances de sobreviver. Sua culpa aumentava sempre que Caroline o enviava uma carta  e dizia que sua filha passava bem, crescendo saudável na medida do possível. Ele se arrependia por ter inventado aquela mentira, mas não seria capaz de revelar a verdade, nunca faria aquilo... Levaria aquele segredo para sempre!

O autor, encaixa os acontecimentos naturalmente, deixa a trama muito real, o leitor sabe que existem muitas Norahs, muitos Pauls e muitos Henys no mundo e com certeza ele já conheceu ou ouviu falar de algum.
A forma como as coisas são narradas exerce uma influencia sobre o que o autor acredita ser certo, como se estivesse pondo em jogo suas crenças... Como se o induzisse a pensar em qual seria sua reação diante daquela situação.

Do outro lado, Carolina, All (o caminhoneiro que salvou a enfermeira e o bebê no dia em que esta decidiu criar Phoeb) e a própria Phoeb, os três criaram um laço muito forte, e com o passar do tempo Carolina passa a amar aquele homem e se casa com ele, Phoeb cresce com suas limitações, mas era feliz e muito amada.

O tempo passa, e a família Henry enfrentava situações  cada vez mais complicadas, como se sempre faltasse algo, e quando a família resolve se aproximar, acabam se afastando e ocorrem vários eventos que pioram a convivência da família (não vou contar porque é bem melhor descobrir quando se está lendo, mas posso adiantar que Phoeb é uma verdadeira guerreira); Caroline é a personagem que muito me surpreendeu; Henry não passou de um homem rico com espírito perturbado tentando fazer caridades para aliviar sua culpa (pessoas, pensando na situação dele eu vi muitas mães que abandonam suas crianças, muitos pais que não aceitam a gravidez da namorada ou esposa, muitas pessoas que guardam consigo segredos que custam a paz que o dinheiro não pode comprar...).

Paul é o típico filho mimado pela mãe, mas que não recebe atenção devida, possui  "tudo", mas não é feliz (não até seguir sua carreira de músico); Norah é a mulher que tem um casamento "perfeito" mas vive um relacionamento sem o amor e a confiança que sonhou e possui uma certa parcela de culpa nisso.

Há outros personagens mas não falarei deles, não que sejam menos importantes, SÃO MUITO!!!, mas porque vale a pena se deliciar com a leitura de "O guardião de memórias". Espero que  gostem, mas não apenas isso, que venham a refletir no que estão baseadas suas escolhas, quais serão as consequências delas a curto e longo prazo.

 Boa leitura !

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