domingo, 1 de novembro de 2015

A Salvo de Nada

A Salvo de Nada - Olivier Adam



Sinopse


Marie é uma dona de casa de meia-idade, que passou a vida numa cidadezinha francesa no canal da Mancha - um vilarejo despovoado e empobrecido repleto de refugiados ilegais que buscam, de todas as formas, uma chance de cruzar para a Inglaterra.

Ela e o marido estão em uma fase difícil da vida. Endividaram-se com a mudança para um condomínio onde seus dois filhos pequenos - Lucas e Lise - pudessem brincar, mas a situação tornou-se cada vez mais difícil desde então.

Ela foi demitida do supermercado onde trabalhava e Stéphane mal consegue equilibrar as contas como motorista de um ônibus escolar. Sentindo-se perdida, sem conseguir cuidar da casa nem dos filhos, Marie acaba se envolvendo com os refugiados, em uma relação instável e perigosa.

Através de seus olhos, o leitor acompanha a trajetória de uma mulher fragilizada, cuja única chance de redenção está no amor aos filhos. A salvo de nada não é só uma história marcante e atual. É também um livro de personagens surpreendentes, com dilemas e sofrimentos, criados por um dos grandes escritores franceses de sua geração.

Minha Opinião


A salvo de nada é um excelente livro. Com tradução de Bernardo Ajzenberg, temos um drama denso e reflexivo. Além disso, temos uma crítica social bem realista (se para nós estrangeiros ficou clara essa crítica, imagina para os conterrâneos de Olivier...). Contudo, o foco da história é a protagonista, Marie. Toda a trama é desenvolvida pela narração da própria protagonista, fato que vai se tornando cada vez mais decisivo nas respostas que encontraremos ao longo do livro.

Em uma primeira análise (bem superficial...) Marie era uma dona de casa que descobriu super-poderes secretos e resolveu combater as injustiças sociais em sua cidade. Porém, seus inimigos foram tão poderosos que ela perdeu a guerra, sendo sentenciada a viver em uma clínica psiquiátrica.

Todavia, essa não é a história narrada (não mesmo!). Nesse livro temos a história de uma mulher caindo. Caindo dentro de si mesma, dentro de um mundo onde tudo é estranho a ela, nada lhe atrai como antes. O cotidiano se torna uma tortura e sua única válvula de escape talvez seja o mesmo caminho que libertará seu espírito dessa vida.

Marie é (ou era...) uma dona de casa. Mãe de Lise e Lucas. Esposa de Stéphane. Nada fora do comum. amava seus filhos acima de tudo e todos, mesmo que Lucas fosse seu "preferido":
"Bem no fundo de mim mesma nunca consegui deixar de pensar que Lise era, antes de mais nada, a filha dele (Stéphane). E que Lucas era o meu homenzinho. Era assim, e eu não podia fazer nada quanto a isso.", página 36.
Sim, Marie era (ou é... rsrsrsrsrs) uma dona de casa conformada com sua condição, com seus filhos e seu marido. Mas seu amor por Stéphane era antes de tudo, gratidão. Afinal, após a perda (perda essa que abalou profundamente Marie) Clara, fora ele quem lhe estendera a mão, quem lhe deu novo sentido em viver.

 Mesmo uma família, um lar, não foi suficiente. Sempre lhe faltou algo, desde que sua irmã faleceu. Então Marie conhece um dos kosovares (que, em termos práticos, são os imigrantes ilegais que tentam entrar na Inglaterra em busca de uma vida melhor). A partir desse encontro ela inicia uma busca por si mesmo, em meio a um emaranhado de (pre)conceitos e crenças suas, de sua família e de toda a cidade.

Em meio a conflitos e descobertas, Marie se vê cada vez mais distante de sua família. Tudo se resumia em ajudar os kosovares. Ou melhor, em ficar perto deles. Ela se distanciava não somente de seus familiares, mas de sua própria essência. E o mais angustiante é que tudo isso é narrado por ela mesma. Vemos seu distanciamento, sua frieza, seu desprezo pela vida pela própria Marie. Sua confusão e desnorteamento são constantes, mesmo que no início não sejam predominantes.

Mas essa não é uma história somente sobre perdas. Nela também vemos um amor materno puro e inocente, ate certo ponto. Marie ama seus filhos, mais até do que a si própria. E é nesse amor que ela encontra sua âncora em meio a tantos conflitos e dúvidas.

A salvo de nada é um excelente drama, com uma pegada bem interessante sobre a questão social dos kosovares, na França. E confesso que o final me pegou de surpresa (tudo bem que tudo indicava que isso iria acontecer, mas mesmo assim ainda tinha esperança que esse não fosse o "fim" de Marie).

Sobre a Edição


Essa edição publicada pela editora Alfaguara é em páginas "amarelas" e em fonte bastante legível. Os capítulos são divididos de forma bem simples, sem muitas 'firulas'. Possui "orelhas" com um resumo e informações sobre o autor.

Eu gostei da foto da capa, achei bonita até. Mas não gostei do "contorno" que colocaram nela, essa parte que lembra uma janela molhada pela chuva. Só a foto estava ótimo...



E vocês? já leram "A salvo de nada" ou outro livro do Olivier ? Deixe nos comentários sua opinião!

Boa leitura...

\o/

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