domingo, 29 de novembro de 2015

A Casa Negra

A Casa Negra - Stephen King e Peter Straub



Sinopse


Vinte anos se passaram desde os eventos narrados em O Talismã. Agora, nesta eletrizante sequência, Jack Sawyer não é mais um menino. Aos 32 anos, não se lembra dos acontecimentos que o levaram a um misterioso universo paralelo - os Territórios. Em busca de um talismã, o pequeno Jack enfrentou inimigos perigosos e situações de grande risco, tudo para salvar sua mãe.

Hoje, ele é um aposentado detetive de Los Angeles que vive tranquilo num vilarejo de Tamarak. Mas sua tranquilidade está prestes a acabar. Uma série de assassinatos macabros no oeste de Wisconsin faz com que o chefe de polícia local, amigo de Jack, peça sua ajuda na busca pelo assassino.

Parece estar escrito, em algum ponto no universo, que ele terá de voltar aos Territórios. Atormentado por mensagens enigmáticas que aparecem como que em sonhos, decide enfrentar o desafio e acertar-se com seu próprio passado.

Minha Opinião


(cuidado, 'Aqui e Agora' todo parágrafo poderá conter spoilers)

Em A Casa Negra temos novamente Jack Sawyer como protagonista de uma nova aventura. Desta vez temos um Jack adulto, recém aposentado de seu cargo de detetive em Los Angeles. Em seu processo de aposentadoria, Jack comprou uma casa no campo (casa essa que pertenceu ao chefe de policia local, Dale Gilbertson). Em sua vizinhança mora Henry Leyden, um simpático cego que se torna uma amizade valiosa para Jack (Henry é o mais próximo de um equivalente ao personagem Lobo, que conhecemos em O Talismã).

No começo temos a descrição de quase todos os personagens da história, do ambiente e dos costumes locais. Por isso creio que essa seja a parte onde a maioria dos leitores sente desânimo, e até deixe o livro de lado e parta para outra leitura mais "empolgante". Quem lê Stephen King sabe que na maioria dos seus livros (principalmente aqueles que possuem mais de 500 páginas) as [+ ou -] 120 primeiras páginas são somente para que possamos conhecer mais a fundo o enredo da história (tanto o principal quanto o(s) secundário(s)). E, nesse desenvolvimento/apresentação acontece quase nada, tudo é meio que uma preparação para a história em si.

Pois bem, logo nessa parte de descrição, temos em destaque o palco onde ocorrerá ápice da trama: A Casa Negra. Ela se localiza em uma região peculiar, uma região de resvalamento:

"Terras de fronteira têm o sabor de indisciplina e distorção. O grotesco, o imprevisível e o sem lei enraízam-se nelas e vicejam. O sabor das terras de fronteiras centrais é de resvalamento.", página 40.
 A Casa Negra é uma casa no mínimo estranha. Sendo construída no meio da floresta (ligando-a ao resto da civilização apenas por uma precária estradinha), ela foi totalmente pintada de preto (mesmo que com o tempo ela foi se tornando um cinza amorfo). Dela emana uma espécie de "força" que repele visitantes indesejados (quer seja mentalmente, quer seja com a presença de animais/guardiões grotescos). Por dentro ela é mais estranha ainda. Possui quartos com dimensões enormes (muito maiores do que as dimensões externas da própria casa), cômodos com seres inimagináveis, uma cozinha com alimentos bizarros e, o mais importante de tudo, um portal. Sim, a Casa Negra é um portal, um local de travessia, de fronteira:

"A Casa Negra é entrada para Abalá a entrada para o inferno Sheol Munshun todos esses mundos e espíritos", página 59.
Assim como em O Talismã, Jack também recebe a ajuda de Speedy Parker, mesmo sem entender muito bem o que se passa, visto que Jack [digamos que] resolveu esquecer toda a sua jornada (aos 13 anos) em busca de seu Talismã..

"Perto dali, um guitarrista começou a tocar um blues que Jack quase conseguia identificar; o título veio à superfície de sua mente, depois mergulhou e sumiu.", página 98.
Além de tentar alertar Jack em pessoa, Speedy tenta de outras formas, incluindo penas e ovos... Contudo, sua presença mais marcante se dá em sua forma nos Territórios, ou seja, em Parkus, visto que durante um breve encontro Parkus revela todo o destino (ou melhor, seu ) de Jack. Mesmo não sendo mais um guitarrista, ou um senhor brincalhão, Parkus continua gostando de Jack, e é nessa afeição que Jack encontra sua salvação, nos instantes finais do livro.

Outro personagem importante na trama é Judy Marshall. Judy é mãe de Tyler, a última "vítima" do temido Pescador, o assassino serial (e marionete de um ser muito maior, e perverso...) mais temido da região. Judy tem visões (não é bem visões, são contatos, imediatos ou não) com seres, objetos e acontecimentos de ambos os mundos. É por meio de suas "visões" que Jack consegue se situar em meio a todos esses acontecimentos. Achei interessante o fato de terem inserido um personagem "auxiliar" para que Jack pudesse chegar ao seu objetivo e cumprisse seu Ka.

"- Eu sempre quero parar e saltar do carro. Adoro tudo naquela vista. A gente enxerga quilômetros e quilômetros ao longe, e aí, pumba!, para, não dá para ver mais. Mas o céu continua, não? O céu prova que existe um mundo do outro lado daqueles morros. Se viajar, a gente pode chegar lá", página 323.
Um outro personagem secundário merece destaque: Gorg. Em termos práticos, Gorg trabalha em equipe com o Pescador. Ah, antes que me esqueça, ele é um corvo. Isso mesmo, um corvo que fala e que com seu olhar pode enlouquecer pessoas simplesmente mostrando para elas o lugar de onde ele vem... Ele é uma clara referência (ou seria homenagem? rsrsrs) ao Corvo do Poe.

"- Ele veio das Trevas Infernais. Isso é de um poema que a Sra. Normandie nos ensinou na sexta série. "O corvo", de Edgar Allan Poe.", página 415.
 , existe também uma boa referência ao Cão dos Baskervilles...

Além de toda a trama envolvendo Jack e a Casa, temos um forte ligação dos eventos narrados nesse livro com a Torre Negra. Pra mim foi muito agradável reencontrar termos e seres da Torre. Queria destacar dois trechos dessas referências (mas tem vários outros trechos...):

"- Não tenha medo, Jack, elas também servem ao Feixe. Todas as coisas servem ao Feixe!", páginas 488.
"- Há uma Torre que os prende no lugar. Pense nisso como um eixo sobre o qual muitas rodas giram, se você quiser. E há uma entidade que derrubaria essa torre. Ram Abalá.", página 498.
 Ah, antes que me esqueça. Um dos personagens tem uma morte muito impactante, assim como em O Talismã. Não vou revelar quem é, até mesmo porque é um personagem muito querido, sentimos forte empatia com ele (ou ela né... vai saber...). É uma daquelas mortes que você lê a última linha do capítulo, fecha o livro e fica pensando "por quê? POR QUÊ tinha que morrer??"...

No final, temos [digamos que] uma certa brincadeira com o leitor. Seria uma história praticamente perfeita. Típico final Felizes para Sempre... Só que, explicitamente, King e Straub abandonam (ou não? chegue ao final do livrro e descubra :P ) essa linha de pensamento e trazem algo menos "Feliz".

Sobre a Edição


A Casa Negra foi publicado pela editora Suma de Letras, com tradução de Adalgisa Campos da Silva.É em páginas "amarelas" e possui "orelhas". A lombada é linda, Achei a chave bem legal. Mesmo sendo um livro com muitas páginas ele não é tão pesado assim...

Ah, e essa foto da capa é bem bacana, ajuda a imaginar a tal da Casa Negra..



Bom, se vocês já leram a Casa Negra, deixe nos comentários a sua opinião, ela é sempre bem vinda. Vale lembrar que a Casa Negra é uma continuação do livro O Talismã, que também já falamos aqui no blog (só clicar aqui para saber mais).

Uma ótima leitura e até a próxima!!
\o/

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