domingo, 27 de setembro de 2015

O Talismã

O Talismã - Stephen King e Peter Straub





Sinopse


Com mais de um milhão de exemplares vendidos nos Estados Unidos, O Talismã, de Stephen King e Peter Straub, conta a história de um menino de 12 anos que tem de viajar por mundos paralelos para encontrar um talismã - o eixo de todos os mundos possíveis - e o único remédio capaz de salvar a vida de sua mãe. Para isso, Jack Sawyer conhecerá os Territórios, um mundo tenebroso, povoado por seres perversos e infernais como só o mundo da aventura, fantasia e horror poderia reunir.


Minha Opinião

(cuidado, 'Aqui e Agora' todo parágrafo poderá conter spoilers)


Em O Talismã temos a história de Jack (não, não é o Jack de O Iluminado), um garoto de 12 anos que se vê em uma situação no minimo inesperada: sua mãe, Lily Sawyer, está com algum problema, alguma coisa nela "não cheira bem" a Jack. Mesmo que o garoto não tenho total consciência do que Lily está passando, ele pressente que alguma coisa está errada. E, com uma valiosa ajuda de um senhor chamado Speedy Parker, ele embarca em uma longa jornada (bem longa, mais de 800 páginas rsrsrsrsrs) na sua busca pela cura de Lily.

Ao longo de sua jornada ele descobre que sua motivação não era a única força que o motivaria em sua busca. Jack inicialmente deveria buscar um Talismã, um objeto que representa a coesão de todos os mundos, de todos os seres existentes. Esse talismã está correndo perigo, pois forças malignas estão tentando pôr as mãos nesse poderoso objeto. Tendo em vista esses perigos, Jack põe o pé na estrada e parte em sua busca. 

Assim que descobre, através de Speedy, que tem que partir do hotel onde ele e sua mãe se hospedaram Jack não demora a arrumar alguns poucos pertences e sair rumo à estrada. Eu particularmente achei meio estranho quando ele foi se despedir da mãe. Não houve muita resistência por parte de Lily. Talvez isso se deva ao fato de ela ter convivido por bastante tempo com o pai de Jack e ter percebi a predisposição dos Sawyer. Talvez seja até por causa do Duplo dela nos Territórios (e ela mesma) estar doente. Mesmo assim achei isso meio estranho, imaginem seu filho único de 12 anos de idade chegar e dizer pra você que vai passar meses fora, viajando sabe-se lá pra onde ou com quem, não seria algo com que se preocupar?

Mas espera um pouco Marcus, o que são Duplos? Bem, segundo Speedy:

"Há pessoas neste mundo que têm Duplos nos Territórios - disse Speedy. - Não muitas, porque lá há muito menos gente. Talvez uma pessoa para cada cem mil daqui. Mas os Duplos podem ir e vir com a maior facilidade."  , página 62.
Jack tem, ou melhor, tinha um Duplo, que morreu. Sua mãe possui um Duplo, a Rainha dos territórios. Seu tio Morgan Sloat também possui um Duplo, e é justamente Sloat quem comanda as forças do mal em ambos os mundos. Contudo, vale ressaltar que talvez existam outros territórios, outros mundos além desses dois. Tal fato pode ser comprovado durante as travessias de Jack, nos momentos em que ele se vê em um limbo infinito.

No decorrer de sua jornada Jack Viajante se depara com vários personagens/seres em ambos os mundos. Cada qual tem sua peculiaridade e seu papel na missão de Jack. Contudo um dos seres dos Territórios merece destaque. Lobo é um lobisomem (sim, eles existem e são comuns até, nos Territórios) que após ter conhecido o pai de Jack se tornou amigo dos homens (menos de Morgan e seus homens). Lobo vem com Jack para o mundo "real" para ajudá-lo em sua missão e escapar da morte pelas mãos de Morgan. 

Desde a primeira aparição de Lobo tive a impressão de que ele seria peça fundamental na história. Fiquei com a impressão de que cedo ou tarde ele morreria, afinal era um personagem muito ingênuo, muito bondoso e muito fiel a Jack. Confesso que no fim da aparição de Lobo, logo antes e durante a fuga de Jack do reformatório dirigido por Sunlight Gardner (que também é um servo fiel a Morgan). 

Essa fuga poderia ser o fim do livro, deixando o resto dele para um segundo volume de tão intensa e importante que foi.. Mas o livro continua, após Lobo vem Richard Sloat. Sim, o filho de Morgan ajudará Jack em sua busca. Alias, ajudará também na destruição do próprio pai, Morgan.  Um ponto que achei bastante interessante é que em Richard vemos um intenso debate sobre a veracidade dos Territórios e todas as coisas estranhas que nele estão contidas (ou fugitivas né...). Tal debate foi tão intenso que quase custou a vida dos dois. 

Jack e Richard conseguem transpor todos os desafios que encontram, impulsionados pela predestinação de Jack/Jasão. Ao chegarem em seu destino, no local onde o talismã está eles se deparam com algo que me intrigou bastante:

"- Era negro. Era feito de madeira, mas a madeira parecia pedra. Velha pedra negra. Era assim que meu pai e seus amigos o chamavam: O Hotel Negro.", página 647.
Foi assim que Richard descreveu o hotel que ele e seu pai visitaram algumas vezes em sua infância. Muitos elementos nessa obra me lembraram dos livros da Torre Negra (para quem não conhece a Torre Negra, leia mais aqui): A busca intransigente por um objeto que representa várias coisas contidas nele; O Hotel Negro; um vilão com poderes não-humanos (como disparar raios, por exemplo); A formação de grupos (no caso foram sempre duplas...) para auxiliar o protagonista em sua missão; e a existência de outros mundos. Tais fatos podem ser meras coincidências... Mas para mim significam muito, e acho que para todos que leram a saga.

Por fim vale lembrar que Jack era somente uma criança... Ou seja, tudo isso foi vivido por uma criança (tudo bem que ele teve que ser muito mais que adulto em quase toda a jornada) e talvez por isso tudo foi mais complicado em alguns momentos e mais fácil em outros. 

É um livro longo mas não é enfadonho. Durante o livro você encontra alguns ápices na história (pontos onde a história entra em clímax, mesmo sem estar no final). Por ser longo, e bem escrito, podemos acompanhar o crescimentos dos personagens de tal forma que em certo momentos estamos amando alguns (super apegados a ele, desejando que se tornem imortais e tudo mais...) e odiando outros, e é isso que torna a obra excelente, acima do normal mesmo.

Além disso gostaria de acrescentar que é um livro escrito por duas pessoas, Peter Straub e Stephen King. Ou seja, durante toda a obra nos depararemos com elementos característicos de ambos os escritores.A narrativa é bem na pegada do Straub, enquanto que a descrição psicológica dos personagens é a cara do King.

Sobre a Edição


A minha edição foi comprida no sebo daqui da minha cidade mesmo. É, como todas as edições da Coleção Mestres do Horror e da Fantasia, um livro antigo. Infelizmente a capa já ta bem desgastada pelo manuseio e tempo. Além disso veio com o nome e data de quando o antigo dono comprou-o, eu acho. Mas fora isso o texto está integral, intacto e bem legível. 

Assim como Quatro Estações, possui a identificação bem visível de que pertence à coleção Mestres do Horror e da Fantasia, da editora Francisco Alves.

A capa é bem legal, remetendo a vários elementos importantes que ocorrem na obra. É uma capa simples, e uma edição simples também, mas uma boa edição. Não contém nem pré e nem posfácio.



Tenham todos uma excelente leitura e muito obrigado pela visita!
o/

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