domingo, 17 de maio de 2015

Quatro Estações

Quatro Estações - Stephen King








Quatro Estações é uma "compilação" de quatro contos (não vem ao caso determinar se são contos, novelas ou noveletas né?). Cada conta foi ligado a uma das estações do ano, logo temos os seguintes títulos: Primavera Eterna, Verão da Corrupção, Outono da Inocência e Inverno no Clube; representando, respectivamente, os seguintes contos: Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank, Aluno Inteligente, O Corpo e O Método Respiratório.

Todos os contos não são histórias de horror, como geralmente associam-se as obras de Stephen King. Além disso, são estórias um pouco longas, o que não diminui em nada o prazer de lê-las.

Vamos lá:

1 - Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank



No primeiro dos quatro contos temos a história de Andy Dufresne, um homem que foi condenado a prisão perpétua por ter matado sua esposa, Linda, e o amante dela a tiros. Deixo a vocês descobrirem como o crime ocorreu, em que circunstâncias, e se Andy era ou não culpado (afinal esse é o pilar central da história).

Na prisão Dufresne conhece Red, o "cara que consegue coisas" de dentro da prisão. Entre os dois nasce uma espécie de amizade desde o início, e talvez seja ela a salvação que Andy encontrou no árido terreno da cadeia.

Ao pedir para que Red conseguisse um cinzel e, posteriormente, um pôster da atriz Rita Hayworth Andy põe em plano a sua premeditada (e perfeita!) vingança contra tudo e todos. No final, como o título diz, Rita é a porta de entrada para a redenção de Dufresne.

Com vários personagens secundários interessantes (incluindo as "irmãs"), e um retrato peculiar da vida na prisão, King cria uma história onde a amizade, a resiliência e a determinação são os fatores que movem os melhores homens.

É interessante notar como um homem consegue sobreviver a toda a hostilidade da prisão, ainda mais nas circunstância de sua condenação, e ainda conseguir se reerguer, conseguir continuar, conseguir sua redenção.

Desse conto nasceu o filme Um Sonho de Liberdade (com Morgan Freeman e Tim Robbins) que, por ter conseguido transmitir toda a atmosfera do livro (mesmo tendo alterado alguns fatos contidos no conto), vale muito a pena ser citado e, é claro, ser visto.


2 Aluno Inteligente


Já no segundo conto do livro, Aluno Inteligente, Todd, um aluno muito inteligente por sinal, conhece (ou melhor, stalkeia) um ex-membro da SS (exército especial nazista) e ex-chefe de um dos maiores campos de concentração (também conhecidos como "Campo de Extermínio"). 

Todd encontra-o por acaso, mesmo já conhecendo-o de suas revistas sobre Segunda Guerra Mundial. Desde então ele decidi que deveria conhecer esse homem, saber mais sobre sua vida, sobre suas atrocidades...

A partir do encontro entre Todd e Dussander nasce uma relação a princípio estranha, unilateral e repleta de receios. Mas com o passar das páginas vemos essa relação se tornar cada vez mais bilateral, onde Todd necessitava cada vez mais das atrocidades de Dussander, e Dussander precisava cada vez mais de Todd para se manter vivo.

Por fim não existe mais distinção entre os crimes de Dussander e os crimes de Todd. A diferença entre os dois se torna tênue, irrisória. O aluno inteligente não é mais somente aluno, é muito mais que isso.

Daí vem o título "Verão da Corrupção". Dusssander corrompe Todd da maneira mais inimaginável possível.

Há duas referências que gostaria de destacar: A primeira é uma referência ao contador Dufresne (sim, o mesmo do conto anterior). A segunda é uma referência a Michael Crichiton (o mesmo autor de "Parque dos Dinossauros"). 

Além disso, existem crimes cometidos contra animais, crimes não, atrocidades. Então se você não suporta ler sobre isso, sugiro que pule a página 156 (ou parte dela).


3 O Corpo


No terceiro conto do livro, O Corpo, temos a história sobre quatro garotos que decidem ir atrás do corpo de um garoto que morreu (ou pelo ao menos é isso que eles acham que aconteceu) nas proximidades da cidade deles. 

São quatro garotos comuns, com famílias problemáticas. Mas a amizade construída entre eles é algo excepcional. Não é uma amizade ideal, cheia de clichês. É algo real e, até certo ponto, tangível. 

Após passarem por algumas provações/dificuldades eles encontram o corpo. Mas não é esse o ponto da história. A intenção dela é transmitir as relações entre os garotos, as dificuldades que algumas crianças enfrentam, a necessidade de amadurecimento precoce e a implacável hostilidade do mundo real. 

Aqui temos também duas referências: A primeira refere-se a Cujo, obra também escrita pelo King. E a segunda refere-se à prisão de Shawshank. Ah, e há também uma referência a cidade de Jerusalem's Lot (cidade onde ocorre Salem - ou A hora do vampiro se preferirem esse título).

"- Então você é um idiota? 
 - Por que é idiotice querer estar com os amigos?"  página 392.
E é essa a essência do conto, sobre como o amadurecimento de garotos pode ser difícil, intenso, precoce ou necessário. A amizade é utilizada como um gancho para esse tipo de questionamento.

É o maior dos quatro contos, mas é uma história bastante interessante, então não se assuste com o tamanho, leia-o e não se arrependerá, é uma bela estória.

Assim como os outros dois primeiros contos, esse também se passa na cidade fictícia de Castle Rock, no Maine.


4 O Método Respiratório


No último dos quatro contos, temos a história de um clube de cavalheiros em Nova York (ou será um somente um "clube" ? será que não é algo muito maior e inesperado do que isso?... Leia e tire suas conclusões...). 

Nesse clube, homens (no geral advogados ou empresários bem sucedidos) contam histórias e se reúnem para conversar ou ler. Todo ano, na véspera de Natal, a história a ser contada era uma história Sobrenatural. Essa é a tradição.

"O IMPORTANTE É A HISTÓRIA, E NÃO O NARRADOR" página 462.

Certo ano a história de Natal foi contada por McCarron. Na verdade não é bem uma história (mais uma vez, sem spoilers, rsrsrsrs). Enfim, nela McCarron narra sobre uma paciente especial. Era uma grávida solteira, o que, na época era algo imperdoável socialmente falando.

McCarron ensina a sua paciente o método respiratório (que consistia em uma técnica de respiração a ser utilizada durante o parto, ou em outros momentos...). Mas sua paciente era especial. Mais do que isso, era uma mulher determinada, no sentido mais louco da palavra.

"O objetivo do Método Respiratório é fazer com que a mãe concentre sua atenção no trabalho de parto e lute contra a dor com os próprios recursos de seu corpo" página 499.

O parto não foi como se esperava. Na verdade, foi o parto mais estranho que eu já li a respeito. Porém, o método respiratório foi mais do que essencial, foi causa e efeito de tudo o que aconteceu.

Ao terminar a história de McCarron temos a sensação de que ou ele é maluco ou tudo o que foi narrado é algo a não ser lembrado, a não ser que queira ter belos pesadelos. 

Acima das bizarrices, é uma boa história sobre como a determinação de uma mulher (não esqueça de levar em conta a situação social da época) pode ser irrefreável.


O Posfácio

No posfácio, temos King nos falando sobre como é fácil ser rotulado como escritor de Terror quando todos os livros seus publicados até então eram sobre Terror. 

Ele conta também que tinha um certo receio sobre a publicação dessas quatro histórias, tanto pelo tamanho dos contos, quanto pela temática destoante deles.

Ainda bem que ele não se prende a rótulos. Afinal temos quatro boas histórias onde o Terror/Horror/Sobrenatural não é o ponto principal.


Sobre a Edição

Essa edição da famosa editora Francisco Alves vem com "orelhas" e páginas amarelas (não sei se é pela ação do tempo ou se originalmente eram nesse tom...). É uma edição antiga, portanto não está "como nova". Faz parte da Coleção Mestres do Horror e da Fantasia.

Além disso, possui alguns erros ortográficos bem visíveis. Sem falar que tem que ter um cuidado a mais na hora do manuseio.

Contudo é uma boa edição. A capa é a minha preferida dentre as que foram lançadas aqui no Brasil (pela editora Objetiva, Suma de Letras, Planeta DeAgostine e Ponto de Leitura). 

Originalmente foram lançados quatro volumes, cada um com um conto apenas. Depois lançaram os quatro contos em uma única edição. 

A minha edição não possui qualquer introdução. Nem sinopse. Contém o posfácio citado anteriormente.



E você? Já leu quatro estações? O que achou? Tem vontade de [re]lê-lo ?
Deixe sua opinião nos comentários.

Boa Leitura!!

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