sábado, 27 de dezembro de 2014

Um Amor em Tempos de Guerra

Um Amor em Tempos de Guerra - Júlio Magalhães




Sinopse


António nasceu marcado pelo nome. O mesmo que o vizinho da rua das traseiras, o homem que se fez doutor em Coimbra e que ia à terra sempre que podia, o tal que governava o país com pulso de ferro. Mas de pouco ou nada lhe valeu tão grande nome quando o destino o enviou para Angola, para defender a pátria em nome de uma guerra distante que não era a sua.

Deixou para trás a sua terra, a mãe inconsolável e Amélia, a mulher que pedira em casamento, num banco de pedra, junto à igreja e que prometera fazer dele o homem mais feliz de Vimieiro. Promessa gravada num enxoval imaculado que ficou guardado no armário, à espera do fim daquela maldita guerra.

Quando António regressou de Angola, era um homem diferente. Marcado no corpo por anos de guerra e de cativeiro e no coração por um amor impossível que deixara em pleno mato angolano. Regressava para cumprir a promessa que fizera anos antes à sua noiva Amélia, que o julgara morto, e que, em sua memória, tinha enterrado um caixão sem corpo.

Resenha

                                                                                                                                                         
Júlio Magalhães consegue emocionar o leitor com sua escrita dinâmica e simples. Ele conta nesse maravilhoso romance uma incrível história de amor entre Antônio e Amélia, sentimento que nasceu quando ambos ainda eram crianças e permaneceu inabalável. Inabalável? Bom, isso será descoberto ao final da leitura.

Em uma época de guerras, mais precisamente a guerra colonial portuguesa, Antônio e Amélia se dão em noivado e pouco antes de concretizarem o sonho de viverem juntos, têm seus planos interrompidos por uma ordem do governo português. Antônio fora chamado para a guerra como temia sua mãe que após perder o marido depositava no único filho todas as forças.

E agora? Como ficará sua noiva e sua pobre mãe? Não teria como recusar a essa ordem? E se ele fosse Amélia o aguardaria para terminarem de escrever a história que já haviam iniciado? Mas quanto tempo ele passaria por lá? Será que ele voltaria... Ou melhor, será que voltaria vivo?

Essas indagações serão respondidas no decorrer da leitura (já adianto que as respostas são um tanto quanto inusitadas, emocionantes e ao mesmo tempo intrigantes).

No inicio tudo fora difícil, mas não inaceitável. Antônio partiu para a guerra deixando sua mãe e noiva sob o juramento de que ele voltaria em breve e não deixaria de dar notícias.

Nos primeiros anos apesar da distância a promessa permanecia intacta e ambos viviam de fato um amor verdadeiro e puro. A saudade de anos era saciada em um ou dois dias que eram dados aos soldados para passarem com a família. Mas o tempo passou e aquele cenário cruel de guerras estava cada vez menos tragável para Antônio que começou a buscar outros métodos de superar a saudade de casa e passar melhor suas horas vagas.

A partir dai o leitor se ver mais envolvido com os personagens de forma a desacreditar de alguns acontecimentos e torcer por uma mudança no rumo que a história vai tomando, pois Antônio nos surpreende com algumas atitudes.

A essa altura Amélia ainda se guarda para seu amado, enquanto este já não podia resistir aos desejos da carne e se via dividido entre seu amor verdadeiro, mas distante e uma paixão incontrolável, disponível e perto. Antônio guardou sua paixão em segredo, mas tudo fora à tona anos mais tarde.

O mais intrigante é que naturalmente o leitor é induzido a esperar uma saída para toda aquela bagunça em que havia se transformado a vida daquele casal e por inúmeras vezes vai enxergando a tal saída mais distante do plano real.

A trama se desenrola cada vez mais curiosa e é quase impossível que o leitor não se prenda a essa maravilhosa caixa de despertar emoção, sensibilidade e comoção.

O autor nos faz levantarmos vários questionamentos, criticar algumas atitudes, louvar outras e sentir como se estivéssemos no lugar do personagem.

Só posso adiantar que essa obra vai intrigar, emocionar e, sobretudo surpreender o leitor.

0 comentários:

Postar um comentário